Os livros da minha vida

2 Março 2009

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Na Semana da Leitura, sugiro que cada um escreva algo sobre um livro marcante da sua vida ou transcrever mesmo um pequeno excerto.
Estou a escrever este post e penso na dificuldade em escolher esse livro… Acho que vou terminar a leitura de “O Anjo da Tempestade” de Nuno Júdice e já faço um comentário.

27 Responses to “Os livros da minha vida”

  1. Paulo Faria Says:

    “(…) e a única forma de combater a angústia nascida desse sentimento é reduzirmo-nos ao presente, numa espécie de “carpe diem” em que temos de aproveitar cada instante como se fosse eterno, e ao mesmo tempo viver cada eternidade que o instante nos oferece como se ela fosse já o passado morto, para não nos esgotarmos na ilusão do prazer”

    Nuno Júdice, “O Anjo da Tempestade”, p. 139.

    (Não é propriamente o livro da minha vida. Mas gostei muito de ler este romance no fim-de-semana).

  2. daniela Says:

    “Amo a minha mulher e a minha mãe acima de tudo no mundo.Se o meu Fuhrer me mandasse matá-las, obedecer-lhe-ia”

    Este livro coloca em causa silêncio e as dificuldades,no plano moral e narrativo..

    Gunter Grass, “A passo de Caranguejo”,pag.11.

    (tou a ler este livro, e estou a gostar muito)

  3. pedro santos Says:

    “É evidente que eu sabia que não era lá muito próprio a gente mostrar aquela alegria toda porque a escla estava a cair, e que devíamos certamente fazer ar bem mais compungido. Mas, como costuma dizer a minha tia Constancinha, «a gente só se ri do mal».”

    Alice Vieira, “Viagem à roda do meu nome”, pag.50.

  4. Diana Cachada Says:

    ” Então, fechei os olhos com força e fixei-me no que via. Esta era uma das coisas que fazia desde pequeno, que tinha descoberto por acaso e que imaginava ser eu a única pessoa a fazer no mundo. Fechava os olhos e via. Via o que se vê com os olhos fechados.”

    José Luís Peixoto, “Uma Casa na Escuridão”

  5. Sofia Vale Says:

    Desembrulhei a prenda. Era um livro. O meu primeiro livro. Era amarelo, tinha uma imagem de uma menina a atravessar a rua, por cima a letras grandes e gordas, lia-se “Amarguinha”

    Não posso dizer que até aos dias de hoje foi o livro que mais gostei ou o que mais me marcou, contudo foi e sempre será um livro muito especial.

    “-Mãe – perguntou o menino, com uma lágrima no olho – por que é que todas as pessoas de quem gostamos se vão embora?”

  6. catarina gomes Says:

    ” Mas foi no jardim que surgiu a expulsão assim que houve conhecimento.
    Divorcio? Divórcio depois do que ela suportou, do seu lado da quarentena, fez o seu trabalho, ganhou os proventos das necessidades básicas, tomou conta da criança a chamar papá Paul, sorriu e brincou á procura da normalidade através das cadeiras do exterior separadas.”

    Nadine Gordimer ” Faz – te á vida”

  7. Joao Costa Says:

    Amor é fogo que arde sem se ver;
    É ferida que dói e não se sente;
    É um contentamento descontente;
    É dor que desatina sem doer;

    O sonêto 11 de Luis de Camões

  8. Luísa Freixo Says:

    «- Olha este poema: “Aqui na Ilha, o mar, e quanto
    mar. Sai de si mesmo, a cada instante. Diz que sim,
    que não, que não. Diz que sim, em azul, em espuma,
    em galope. Diz que não, que não. Não pode estar
    quieto. Chamo-me mar, repete pegando numa pedra sem
    conseguir convencê-la. Então com sete línguas
    verdes, de sete tigres verdes, de sete cães verdes,
    de sete mares verdes, percorre-a, beija-a,
    humedece-a, e bate no peito repetindo o seu nome”. –
    Fez uma pausa satisfeito. – O que achas?
    – Estranho.»

    “O Carteiro de Pablo Neruda” de Antonio Skármeta

  9. Sandra Gonçalves Says:

    Autopsicografia

    «O poeta é um fingidor.
    Finge tão completamente
    Que chegaa fingir que é dor
    A dor que deveras sente.

    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só as que ele não têm.

    E assim nas calhas de roda
    Gira a entrter a razão,
    Esse comboio de corda
    Que se chama coração.»

    Fernando Pessoa

    “Poemas da minha vida” de Mario Soares

  10. Paulo Faria Says:

    Preferia que me seleccionassem excertos narrativos, pode ser?

  11. Diana Sá Says:

    Tarde de mais…

    “Quando chegaste enfim, para te ver
    Abriu-se a noite em mágico luar;
    E para o som de teus passos conhecer
    Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar…

    Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
    Viu-se nessa hora o que não pode ser:
    Em plena noite, a noite iluminar
    E as pedras do caminho florescer!

    Beijando a areia de oiro dos desertos
    Procurara-te em vão! Braços abertos,
    Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

    E há cem anos que eu era nova e linda!…
    E a minha boca morta grita ainda:
    Porque chegaste tarde, ó meu Amor?!…”

    Florbela Espanca

  12. Paulo Faria Says:

    Outra vez: Preferia que me seleccionassem excertos narrativos, pode ser?

  13. Diana Barros Says:

    “Demorei muito para me resolver, o que não era costume. Para dizer a verdade, não sabia que fazer. Precisava de desabafar, tentar compreender tudo o que aconteceu e, como foste sempre a minha única confidente…”

    “A lua de Joana” de Maria Teresa Maia Gonzalez

  14. Joao Fernandes Says:

    ‘As canções dos mortos são as lamentações dos vivos. Assim pensava Eragon ao passar por cima de um Urgal deformado e mutilado, escutando o carpir das mulheres que removiam os seus entes queridos do chão ensanguentado de Farten Dûr. Atrás dele, Saphira afastava delicadamente o cadáver, sendo as suas cintilantes escamas azuis a única fonte de cor na escuridão que preenchia a montanha oca’

    ‘Eldest’

  15. Nuno Neiva Says:

    Autor: Antonio Skármeta
    Título: O Carteiro De Pablo Neruda
    “Subitamente o poeta ergueu os olhos para o tecto, e pareceu observar algo que se soltava no meio das vigas com os nomes dos seus amigos mortos.”

  16. Diana Sá Says:

    Peço desculpa quando estava a publicar o poema não tinha reparado na sua preferência pelo texto narrativo.

  17. Diana Sá Says:

    “O amor pode ser muito bom, em certo sentido, mas a amizade é muito melhor. De facto, não há nada no mundo que seja mais nobre e mais elevado que uma amizade dedicada”

    “O Príncipe Feliz e outra Histórias” de Oscar Wilde

  18. Daniel Silva Says:

    ” Robinson já pensara em salvar as armas, utensílios e provisões que se encontravam no porão do navio, antes que fossem levadas por outra tempestade. Mas acalentava sempre a esperança de não ter necessidade disso, porque-pensava ele- não tardaria que um navio viesse buscá-lo. Consagrava, portanto, todos os seus esforços à instalação de sinais na praia e na falésia.”

    Livro:”Vida Selvagem” de Michel Tournier.


  19. Não é certamente o livro da minha vida, mas é sem dúvida o livro que mais me influenciou na maneira como escrevo, por isso deixo aqui um excerto.

    “Depois, ouvia pragas e gritos agudos a sair das janelas às escuras. E crianças a chorar. Apostava que, de manhã, ela sairia com um olho negro ou pelo menos com os lábios inchados”

    Uri Orlev, “A ilha na rua dos pássaros”

  20. Helena Costa Says:

    “Mas, na verdade, será o peso atroz e a leveza bela ?
    O fardo mais pesado esmaga-nos, verga-nos, comprime-nos contra o solo. Mas, na poesia amorosa de todos os séculos, a mulher sempre desejou receber o fardo do corpo masculino. Portanto, o fardo mais pesado é também, ao mesmo tempo, a imagem do momento mais intenso de realização de uma vida. Quanto mais pesado for o fardo, mais próxima da terra se encontra a nossa vida e mais real e verdadeira é.
    Em contrapartida, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, fá-lo voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-se semi-real e os seus movimentos tão livres quanto insignificantes.
    Que escolher então? O peso ou a leveza?”

    “A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera

  21. Tiago Says:

    Livro: ” Uma aventura em Macau”
    Escrito por: Ana Maria Magalhães
    Isabel Alçada.

    Excerto da obra:

    «Noite alta desembarcaram numa ilhota selvagem das muitas que polvilham a costa sul da China. Já estavam todos acordados mas atordoadíssimos. Limitaram-se a trocar olhares fugidios porque não servia de nada falarem. O cão devia conhecer bem o local. Embrenhou-se na vegetação, correu directo para uma clareira e desatou a farejar troncos e rochas com manifesta alegria. Empurrados pelo cano das espingardas, seguiram também para o mesmo local. Sentaram-se na areia, exaustos. Embora estivesse escuro, aperceberam-se de quem uma reentrância de rocha servia de abrigo aos caixotes. Havia ali outras embalagens, decerto cheias de objectos roubados. Enquanto os homens arrumavam a mercadoria, o cão girava em círculos à volta deles, sem ladrar mas pronto a saltar-lhes em cima se fosse preciso. João abraçara os próprios joelhos e mantinha-se com a cabeça de lado. De vez em quando soltava um assobio ténue e o cão imobilizava-se, arqueando o dorso.
    — Cala-te, João! Se o pões mais nervoso do que ele já está ainda comemos todos pela medida grande.
    Fez de conta que não ouviu e continuou com a sua melodia a intervalos regulares. O cão chegou-se rosnando. Em vez de mostrar medo, João estendeu a mão e pousou-a no areal como quem diz “Morde se quiseres”. A atitude de abandono pareceu perturbar o animal. Farejou-os. Os outros seguiam a cena de olhos arregalados. Qual seria a ideia? As gémeas, muito juntas, pareciam uma pessoa com duas caras.
    “Vai dominá-lo”, repetiam em pensamentos. “Vai dominá-lo”
    — Laiaf…
    — O que é que o João disse?
    — Não sei. Talvez tenha ouvido o nome do cão em chinês e esteja a tentar chamá-lo.
    Calaram-se, ansiosos por entender a conversa que ele estabelecera com a fera.
    — Laiaf… Laiaf…
    E de novo a musiquinha leve, breve, sugestiva. Conhecendo-lhe os dons, não se admiraram que surtisse efeito. O bicho deixou de rosnar e ficou estático como se estivesse hipnotizado. Fixava-se no estranho rapaz de olhos redondos que emitia sons macios, e sem perceber porquê perdeu a vontade de morrer. Hesitante, estendeu uma pata.
    — Laiaf… pronunciou o João docemente. — Laiaf… Anda cá!
    Aquelas palavras desconhecidas atraíam-no. Estendeu a outra pata e ficou muito perto, de cabeça erguida e língua de fora, mas ainda em posição de alerta.»
    (in Uma Aventura em Macau, pp. 174-175)

  22. Daniel Carvalho Says:

    “Muitos talentos escondidos, por vezes onde menos se suspeitava, iam aparecendo à luz do dia, ou seja, iam-se inscrevendo para fazerem parte do espectáculo ou das outras actividades.”

    Nuno Magalhães Guedes “Uma jogada com cabeça” pág. 95

  23. Isabel Dias Says:

    «Falando assim, caminhávamos ambos como embriagados, imersos num nevoeiro, não sabendo nós próprios definir o que nos estava a acontecer. Tão depressa nos detínhamos para conversar, ficando longamente parados, como recomeçávamos a andar e íamos dar Deus sabe onde e novamente explodíamos em gargalhadas, em lágrimas…como Nastenka decidia, bruscamente, voltar para casa, não ousando eu retê-la e querendo acompanhá-la à porta; púnhamo-nos a caminho e, subitamente, ao cabo de um quarto de hora, voltávamos para o cais, para diante do nosso banco. Inesperadamente, ela soltava um suspiro e, de novo, uma lágrima brotava dos seus olhos e eu ficava tímido, gélido…mas logo estreitava a minha mão na sua e me arrastava de novo, a caminhar, tagarelar, conversar…»

    “Noites Brancas”, de Fedor Dostoievski

  24. Joel Miranda Says:

    “Olhava os impnentes blocos de gelo deslizam à superfície de água como navegadores solitários, silenciosos, a lembrar que não se está longe do Pólo Sul. E de repente ocorreu-lhe uma ideia um bocado estranha:
    – Quem sai da Antártida, traz gelo no coração!

  25. Ana Rita Duarte Says:

    “Construí amizades, enfrentei derrotas, venci obstáculos e bati a porta da vida e disse-lhe: não tenho medo de viver!”

    “Seja Líder de Si Próprio”, de Augusto Cury

  26. Rui Gomes Says:

    Arrancou a cana do leme, e bateu e feriu com ela,
    segurando-a com ambas as mãos, abatendo-a vezes seguidas.
    Mas vinham pela proa, um após outro, juntos, arrancando
    pedaços de carne, que brilhavam dentro do mar quando eles se
    voltavam para um novo ataque.

    ” O velho e o mar ” Ernest Hemingway

  27. Carmen Says:

    “como eles aguardavam, olhando-a em suspense, acabou por despir o blusão, com vagar que lhe foi possivel.
    Ainda no rosto não fosse tão evidente, o resto do seu corpo denunciava uma alteração imprevista.Ao ver-lhe os ombros e as omoplatas tornadas uma carga de ossos, salientes como se quisesse sair do próprio corpo, a mão não conteve o grito, levando as mãos à boca…”

    “Quarto com vista para o paraíso” Daniel Marques Ferreira


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