No Dia Mundial do Teatro deixo-vos o texto integral e
também uma versão áudio de “Antes de Começar” de Almada Negreiros.
Esta peça será analisada já no início do terceiro período.

Amanhã, dia 28 de Março, podem assistir à peça “Tristão e Alegrão” encenada pela Capoeira, Companhia de Teatro de Barcelos, às 10:30 na Biblioteca Municipal de Barcelos.

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Um poema de Jorge Faria

27 Março 2008

O professor Jorge Faria, a propósito do dia Mundial da Poesia, respondeu a um desafio com um admirável poema.

Todos os poemas
nos fazem perder um pouco a sensação de medo das palavras.
Cada palavra acende em nós um desejo de cópia,
um sentimento de imensidão
na pequenez que somos e da nudez dos conceitos que medem.
Os poemas são elos de cadeias que nos acodem e acorrem
de modo a obrigar-nos a escrevê-los…

Obrigado Jorge.

Outro poema de Ruy Belo

26 Março 2008

Os pássaros nascem na ponta das árvores

As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvore acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam e movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

Ruy Belo

Gostaria de comemorar convosco o dia mundial da poesia com a partilha de um poema. Almocei a pensar na difícil tarefa de escolher um, um só poema… E só agora consegui! Já há muito que não lia Ruy Belo e, por isso, foi uma forma de o recordar e celebrar assim toda a poesia através deste poema.

Escolham também um poema e coloquem durante a próxima semana nos vossos blogues.

E tudo era possível

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo

Dia do pai

18 Março 2008

Em nome do Pai é uma pequena antologia do pai na Poesia portuguesa. Trata-se de um livro que reúne uma edição de 50 poemas de nomes como Cesário Verde, Eugénio de Andrade, Manuel Freitas Vitorino Nemésio, entre outros.

Deixo-vos um poema de José Agostinho Baptista
Memória

é de ti que eu falo
hoje
quando
todos os pássaros emigram do outono
para os beirais destruídos
quando os olhos cegos de conhecerem as margens
se fecham devagar
é de ti que eu falo.

lembras-te?

era janeiro e eu vinha como quem desce.
a casa tinha janelas azuis e à volta
um tempo de febre e canções longínquas.

estávamos sós.

lembras-te?

então o pai atravessa o cais.
aí paravam os estios da ilha
os ventos do atlântico queimavam os lábios
e ele dizia:

cresce filho   corre filho

para onde irei   para onde?

e ele dizia:

perdidos foram os teus lugares,
os caminhos íngremes e os contos de
terror,
as pedras húmidas onde te sentaste a
falar para o mar.

lembras-te?

(Em Nome do Pai, Pequena Antologia do Pai na Poesia Portuguesa, p. 85).

Boa Páscoa

17 Março 2008

Desejo a todos que esta pausa lectiva sirva para ganhar forças, para que cada um atinja os seus objectivos na recta final do ano.

Divirtam-se, mas não deixem de ler todos os dias e realizar as tarefas que eu tinha pedido. À medida que forem terminando os vossos livros, deixem um pequeno comentário no vosso blogue. Se precisarem de ajuda, já sabem, vou estando por aqui.

Vejam este vídeo.

Escrita criativa

12 Março 2008

Ao entardecer os campos enchiam-se de neblina, o Pico ficava baço e monumental nas águas. Dos lados da estrada da Caldeira sentiu-se uma tropelada, depois pó e um cavaleiro no encalço de uma senhora a galope.
– Slowly! Let go him alone…
Os cavalos meteram a trote e puseram-se a par. O de Roberto Clark vinha suado, com um pouco de espuma na barriga e sinal de sangue num ilhal. O de Margarida, enxuto, meteu a passo.
– Ah, não posso mais…

Este é o início de um conto de Vitorino Nemésio.
Dá continuidade ao excerto transcrito. Tem presente que é sempre preferível um texto curto e cuidado a um texto longo e desinteressante.
Antes de começares a escrever traça um conflito, imagina, descreve lugares e personagens e depois deixa correr as ideias.

Bom trabalho.