Recebemos mais uma participação especial: a professora Alcina Silva também nos presenteou com um texto da sua autoria. Leiam-no e façam os vossos comentários.

Era uma tarde de início de Outono. Daquelas em que predominam as cores envelhecidas pelo tempo e desgastadas pela erosão do vento. E o vento fazia-se sentir acariciando continuamente a pele da face que ia esfriando cada vez mais. Sentada sozinha num banco de jardim, naquela hora em que a tarde e a noite se cruzam e, sem falarem mas sorrindo, procedem ao render da guarda, olhava a paisagem em mudança e refugiava-se no calor da sua vida interior.
Fechou os olhos e viu, como numa banda desenhada a preto e branco, as várias vinhetas que formaram a prancha da sua vida naquela semana longínqua. Primeiro, o excesso de velocidade, depois, o desastre, a ambulância, o hospital e por fim, o médico, parco em palavras e sentimentos, a dar a fatídica notícia: «Lamento. Fizemos o possível, mas não sobreviveram.» Só me lembro de pensar: «… o possível? Deviam era ter feito o impossível!».
O frio exterior adensava-se e uma lágrima escaldante escorreu pela face. Levantou-se e seguiu caminho. Agora, só restavam as lembranças no seu coração e o retrato sobre a mesa.

Alcina Silva, professora

Teste

26 Outubro 2007

Abrimos aqui uma janela com o objectivo de clarificar possíveis dúvidas que considerem pertinentes antes do teste.
Aguardo as vossas questões. Bom trabalho!

Jorge Reis-Sá

23 Outubro 2007

O Clube dos Poetas, Escritores & Companhia conta agora com a presença do escritor Jorge Reis-Sá. O desafio que o escritor propõe é o seguinte:

O retrato está pousado sobre a mesa. Lá fora, o sol toca as árvores do parque. São duas pessoas: a mãe e o filho, a lembrarem aquilo que foi. O tempo passa e leva com ele o passado. As memórias tornam-se difusas, dir-se-ia que só os retratos permitem que se saiba ter existido cada um desses rostos.
Levantou-se. Olhou as árvores. E lembrou: ”

Bom trabalho.

O escritor Jorge Marmelo tem acompanhado o nosso trabalho e deixa o seguinte comentário:

Antes de mais, gostava de agradecer a todos a entusiástica resposta ao desafio que aqui lancei.

Fui lendo os vários textos que escreveram e até a mim me surpreendeu o facto de, a partir de um mesmo parágrafo, ter sido possível escrever histórias tão variadas e diferentes umas das outras.

Assim que o professor Paulo Faria entender adequado, ser-vos-á mostrado o conto que eu próprio escrevi a partir daquele mesmo parágrafo. Não para que comparem, mas para que vejam como é possível acrescentar sempre uma versão diferente, dependendo da vivência que temos, das experiências que vamos acumulando com a idade e do treino que temos no manuseio da língua.

Se pretendedem ler outros textos meus, podem sempre consultar o meu “site” na internet (http://planeta.ip.pt/~ip202503/marmelo.html).

Quanto à aula de jornalismo que a Andreia propõe: não sou professor. Mas podemos tentar combinar um encontro para conversar sobre estas coisas todas, os livros, o jornalismo, etc.

Um abraço para todos

Jorge

 

Para o segundo desafio da actividade do Clube dos Poetas, Escritores & Companhia, a escritora Luísa Ducla Soares teve, também, a amabilidade de responder à nossa solicitação, enviando-nos este texto.

Leiam-no com atenção! Dêem largas à imaginação e comecem já a escrever as vossas histórias.

 


Não se encontra loja mais barata que a Pérola de Macau. Tem de tudo: coisas úteis e inúteis, habituais e exóticas, toscas e delicadas. Por isso, na véspera de Natal, formam-se bichas apressadas mas hesitantes nos seus dois corredores, entre as estantes atafulhadas.
Até ao início das férias era um casal de chineses recém-chegados que atendia os fregueses. Sabiam uma dúzia de frases em português que misturavam com gestos e sorrisos.
Que quele ? Pode vele.
Faziam as contas nas costas de um papel impresso com gatafunhos orientais e apresentavam-nas aos clientes, silenciosos.
Mas em meados de Dezembro meteram o sobrinho, que anda na escola, como ajudante. Na verdade é ele quem orienta a loja. Magrinho, com olhos em bico, parece movido a electricidade. Recebe as pessoas à porta, condu-las até à prateleira das molduras, das velas, das porcelanas, faz sugestões, indica preços.

A doçura de Anita

11 Outubro 2007

Hoje temos uma participação especial: a professora Laura Narciso resolveu também responder ao desafio do escritor Jorge Manuel Marmelo. Eis a surpresa:

A nossa Anita é uma menina muito doce e imaginativa. Hoje acordou triste porque quebrou o espelho do quarto e já não pode conversar com as múltiplas expressões do seu rosto. Lembra-se, de repente, do lago sobranceiro à sua casa e ei-la a correr, não, a saltar pelas escadas abaixo, só parando quando vê os raios luminosos espraiados na imensidão daquele lençol. Cabeceia e cambaleia com o entusiasmo e… de súbito, vê um rosto pequenino parecido com o seu. Será mesmo a Anita devolvida a um novo espelho? Mas não, não é ela… surgem duas bochechas rosadas ornando um sorriso traquinas. Mas… é o Pedro! Sim, o Pedrocas, com quem dividira tantas vezes as bolachas com mel nas viagens intermináveis que os baloiços do jardim lhes prometiam sempre que se abeiravam dos plátanos circundantes. A alegria de ver reflectido no lago o rosto daquele amigo mesclava-se com o sabor das bolachas quentinhas que a mãe fazia, sempre em duplicado, já a contar com aqueles namoros ao entardecer…

Laura Narciso, professora


Curiosidade

6 Outubro 2007

A maior palavra da língua portuguesa não é propriamente fácil de articular: tem 46 letras, mas aí vai o desafio – Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose.

Pneumoconiose é a palavra que se usa actualmente para designar essa doença rara, contraída para quem aspirar as microscópicas partículas de cinzas vulcânicas.