Viagem antes de Madrid… Pedro Salinas…
25 Março 2009
Pedro Salinas é, de entre as muitas possibilidades de escolha, um escritor madrileno. Muitos outros poderiam ter sido destacados aqui, como Cervantes, Calderón de la Barca…, mas optei por este nome e por um poema da sua autoria. Seguramente que vão querer descobrir mais escritores hispânicos.
Ahora te quiero…
Ahora te quiero,
como el mar quiere a su agua:
desde fuera, por arriba,
haciéndose sin parar
con ella tormentas, fugas,
albergues, descansos, calmas.
¡Qué frenesíes, quererte!
¡Qué entusiasmo de olas altas,
y qué desmayos de espuma
van y vienen! Un tropel
de formas, hechas, deshechas,
galopan desmelenadas.
Pero detrás de sus flancos
está soñándose un sueño
de otra forma más profunda
de querer, que está allá abajo:
de no ser ya movimiento,
de acabar este vaivén,
este ir y venir, de cielos
a abismos, de hallar por fin
la inmóvil flor sin otoño
de un quererse quieto, quieto.
Más allá de ola y espuma
el querer busca su fondo.
Esta hondura donde el mar
hizo la paz con su agua
y están queriéndose ya
sin signo, sin movimiento.
Amor
tan sepultado en su ser,
tan entregado, tan quieto,
que nuestro querer en vida
se sintiese
seguro de no acabar
cuando terminan los besos,
las miradas, las señales.
Tan cierto de no morir,
como está
el gran amor de los muertos.
Pedro Salinas
Dia Mundial da Poesia
21 Março 2009
Um desafio para dia Mundial da Poesia: cada um partilha um poema que goste muito…
Aprender a Crescer
Estudar é muito importante,
mas pode-se estudar de várias maneiras…
Muitas vezes estudar não é só aprender
O que vem nos livros.
Estudar não é só ler nos livros
que há nas escolas.
É também aprender a ser livres,
sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
às vezes, urgente,
mas os livros não são o bastante
para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,
mas também a viver,
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer, aprender a estudar.
Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar, a conhecer os outros,
a ajudar os outros,
a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros
aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo
e ter um amigo também é estudar.
Estudar também é repartir,
também é saber dar
o que a gente souber dividir
para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado
Sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar,
pois, na escola da vida,
primeiro está saber estudar.
Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta de somar
que se pode fazer.
Dizer apenas música,
quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redacção do mundo…
Estudar é muito
mas pensar é tudo!
J. C. Ary dos Santos
Semana da leitura
28 Fevereiro 2009
A Semana da Leitura está aí mesmo a chegar. Deixo-vos com este excerto de Daniel Sampaio a propósito dos efeitos da leitura no desenvolvimento das capacidades do cérebro.
«A investigação tem demonstrado a possibilidade de a leitura ampliar as capacidades do cérebro, criando diferentes perspectivas de interpretação da realidade e novas competências no manejo das emoções, contribuindo para a melhor compreensão da complexidade do mundo. Especialistas defendem que o que importa é que a criança leia, sobretudo textos que a mobilizem e não se afigurem desconexos em termos de espaço e tempo, o que poderá levar ao abandono do livro. Por isso, o interesse de uma criança ou de um adolescente por qualquer tema deverá ser incentivado, porque estará a contribuir para o ganho de hábitos de leitura, que só se poderão consolidar nas idades jovens.
Costuma dizer-se que se pode ler um livro a uma criança desde muito cedo, na prática deve seguir-se o conselho de segurar a criança ao colo e com a mão disponível ler-lhe um episódio qualquer que o faça sonhar: não importa, a princípio, se é ou não um texto de muito valor literário».
Jornal de Letras
27 Janeiro 2009
O Jornal de Letras oferece amanhã uma antologia de poesia lusófona com o título “LeYa Poemas” que virá com a milésima edição do Jornal de Letras.Os poemas são de autores vivos.
Entre eles, estão Nuno Júdice, Gastão Cruz, Maria Teresa Horta, António Ramos Rosa, Manuel Alegre, Pedro Tamen, Manuel Gusmão, Ana Marques Gastão, Pedro Mexia, Mia Couto, Guita Jr., Ondjaki, Paula Tavares, José Carlos de Vasconcelos e José Saramago, entre outros, num total de 28 autores.
O Jornal de Letras, Artes e Ideias é uma publicação quinzenal do grupo Impresa (Sic, Visão, Expresso), que chegou às bancas em 1978 e é desde então dirigido por José Carlos Vasconcelos.
Beijo
2 Outubro 2008
O último poema proposto pela Rita, tem por título Beijo,e é do poeta João de Deus.
Beijo
Beijo na face
Pede-se e dá-se:
Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
Vá!
Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
Vá!
Um beijo é graça,
Que a mais não passa:
Dá?
Teme que a tente?
É inocente…
Vá!
Guardo segredo,
Não tenha medo…
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!
Guardo segredo,
Não tenhas medo
Pois!
Um mais na face,
E a mais não passe!
Dois…
Oh! dois? Piedade!
Coisas tão boas…
Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
Três!
Três é a conta
Certinha e justa…
Vês?
E que te custa?
Não sejas tonta!
Três!
João de Deus
Ricardo Reis
30 Setembro 2008
A Dulce traz-nos este magnífico poema de Ricardo Reis.
Segue o teu destino
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor das aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela não pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos Deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis
Escreve o teu rosto
29 Setembro 2008
Mais um desafio: transforma o teu sorriso em poesia.
Vou dar algumas sugestões: começa por desenhar ou tirar fotografias a várias expressões do teu rosto. Depois, imagina-te um poeta. Faz, então, o teu auto-retrato. Lembro-me de um soneto célebre de Bocage, no qual faz o seu retrato de uma forma genial. Ora repara:
Auto-retrato
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,
Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.
Bocage
Poesias de Bocage
Lisboa, Comunicação, 1992 (4ª ed.)
Se quiseres, podes experiementar uma ferramenta que te permitirá articular o texto e a imagem. Este exemplo dos alunos do J. I. de Rio Côvo, parece-me extraordinário. Querem ver? Espreitem aqui.

Semana da Leitura
2 Março 2008
Na semana da leitura que aí se avizinha, eis “Retrato”, videopoema da poetisa brasileira Cecília Meireles, na voz de Paulo Autran. Imagens da autoria de José Ulisses Gonzales Silva, Cecília Meireles.
David Mourão-Ferreira
25 Fevereiro 2008


Todo o amor que nos
prendera
como se fora de cera
se quebrava e desfazia
ai funesta primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia
E condenaram-me a tanto
viver comigo meu pranto
viver, viver e sem ti
vivendo sem no entanto
eu me esquecer desse encanto
que nesse dia perdi
Pão duro da solidão
é somente o que nos dão
o que nos dão a comer
que importa que o coração
diga que sim ou que não
se continua a viver
Todo o amor que nos
prendera
se quebrara e desfizera
em pavor se convertia
ninguém fale em primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia
David Mourão-Ferreira
Pensamento
10 Fevereiro 2008
Encontrei este poema no blogue da Daniela Faria.
É preciso aprender a escrever,
Mas também a viver!
Mas também a sonhar!
É preciso aprender a crescer,
Aprender a estudar.
José Carlos Ary dos Santos
Um bom ano!
20 Setembro 2007
Desejo que este ano seja excepcional. Fico muito feliz por já terem postado muitos poemas de Miguel Torga, pois será um tributo especial da vossa parte ao poeta transmontano.
Informa-vos-ei brevemente de algumas leituras obrigatórias e de outras facultativas.
Por último, tenho desenvolvidos contactos no sentido de trazer um escritor para o nosso blogue. Informar-vos-ei logo que tenha novidades.
100 Anos – Miguel Torga
17 Agosto 2007
Olá a todos!
Espero que as vossas férias estejam a decorrer da melhor forma.
Como prometido cá estou para lembrar que uma boa leitura nunca se dispensa. Como já recuperamos as energias degastadas ao longo do ano, espero que retomem as actividades de escrita e de revisão da síntese. Se precisarem de algum esclarecimento, podem deixar um comentário neste post.
Como estamos a comemorar 100 anos do nascimento de Miguel Torga, deixo-vos algumas notas biográficas e bibliográficas. Se quiserem podem publicar poemas de Miguel Torga nos vossos blogues.
Adolfo Correia da Rocha nasceu em S. Martinho de Anta, concelho de Sabrosa (Vila Real), a 12 de Agosto de 1907 e faleceu em Coimbra, a 17 de Janeiro de 1995.
Adopta o pseudónimo de MIGUEL TORGA porque eu sou quem sou. Torga é uma planta transmontana, urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Assim como eu sou duro e tenho raízes em rochas duras, rígidas, Miguel Torga é um nome ibérico, característico da nossa península. Pesou também na escolha do pseudónimo a influência de dois grandes escritores espanhóis: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno.
Considerado uma das mais marcantes figuras da literatura portuguesa do século XX, a vasta produção literária de Miguel Torga abarca géneros como a poesia, o romance, o conto, o ensaio, as conferências e, sobretudo, o memorialismo e a diarística, assumindo, de forma superior, um papel relevante na cultura portuguesa.









