Reler

14 Agosto 2009

As férias permitem-nos justamente dispor de mais tempo para as coisas que realmente amamos.

Entre as coisas boas e necessárias à vida, a leitura ocupará certamente um lugar destaque.

Talvez há vinte anos, li um dos livros que me marcou profundamente. Hoje tropeçei nele e tinha lá sublinhado a seguinte frase:

“Vivendo se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas”

João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas.

Propostas de leitura

13 Agosto 2009

Já com saudades da escola e atendendo a alguns pedidos, deixo aqui algumas sugestões de leitura para o próximo ano.

Contos de Autores do Século XX
O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago;
Costureirinha, de Luísa Costa Gomes;
Perdido num livro, de José Jorge Letria;
O Homem da Rua, de Mia Couto;
O Pequeno Heidelberg, de Isabel Allende.

Boas leituras e continuação de boas férias.

“A coisa mais bonita do mundo, mais bonita do que a beleza, é a diferença.
Suponhamos que o leopardo é o animal mais bonito da terra. Mais bonito do que ver cem leopardos juntos é ver um leopardo rodeado de outros animais, feios ou bonitos. Bonito, bonito é um leopardo ao pé de um ornitorrinco, um ornitorrinco ao pé de um flamingo, um flamingo ao pé de um crocodilo. É por isso que a ideia da Arca de Noé é tão comovente. Noé não escolheu os animais mais bonitos, nem os mais úteis, nem os mais fortes. Escolheu dois de cada espécie, não porque tivessem alguma qualidade particular, mas por serem diferentes dos demais.
Ser diferente é uma qualidade só por si. Só por ser diferente tem de ser defendido. Acontece, porém que vivemos num tempo igualitário, unificador e racionalista em que as diferenças que ainda existem tendem a ser abolidas”.

Miguel Esteves Cardoso «O Sabor Está na Diferença»

Boa Sorte, Helena!

30 Maio 2009

As provas da Final Nacional do Concurso Nacional de Leitura realizam-se nos dias 30 e 31 de Maio de 2009 em Lisboa.
A final nacional do Concurso será transmitida pela RTP.

Desejamos-te muitas felicidades, Helena!

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Fernando Pessoa

10 Maio 2009

Dos quatro poemas de Fernando Pessoa, selecciona um deles e correlaciona-os com um dos episódios que estudámos de “Os Lusíadas” . Podes apresentar o trabalho por escrito e/ou utilizar alguma das ferramentas digitais que utilizamos.

Plano de trabalho:
1. Análise formal do poema e interpretação;
2. Análise do episódio de “Os Lusíadas”;
3. Síntese comparativa;
4. Reflexão acerca dos Descobrimentos (aspectos positivos, aspectos negativos…).

O Horizonte
Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
‘Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp’rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.

O Mostrengo
O mostrengo que está no fundo do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: “Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?”
E o homem do leme disse, tremendo:
“El-Rei D. João Segundo!”

“De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?”
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
“Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?”
E o homem do leme tremeu, e disse:
“El-Rei D. João Segundo!”

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
“Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!”

O Infante
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Mar Português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Stephenie Meyer

3 Maio 2009

“Stephenie Meyer” tem 35 anos, cresceu em Phoenix, no Arizona e é considerada a nova J. K. Rowling. Doutorou-se em Literatura Inglesa na Brigham Young University em Provo, Utah, uma universidade que pertence à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Em Junho de 2003 sonhou com duas personagens – a humana Bella e o vampiro Edward – e transformou-os nos heróis da saga “Luz e Escuridão” que já vendeu 45 milhões de livros em todo o mundo e encanta adolescentes, principalmente raparigas: “Crepúsculo” (“Twilight”, já adaptado ao cinema), “Lua Nova” (“New Moon”), “Eclipse” (“Eclipse”) e “Amanhecer” (“Breaking Down”) que irá para as livrarias portuguesas a 9 de Junho (numa edição Gailivro). Entretanto publicou “Nómada”, um romance para adultos e está agora a trabalhar no próximo livro”.

(in Público)

Dia Mundial do Livro

23 Abril 2009

Celebra-se hoje o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Uma data instituída pela UNESCO, que procura promover o livro.

Partilha os teus livros, as tuas histórias…

“Se o leitor for à Internet ao sítio www.wdl.org, tem, desde hoje, acesso gratuito à Biblioteca Digital Mundial (BDM), um novo programa de informação e divulgação cultural que acaba de ser posto em linha numa iniciativa conjunta da UNESCO, da Biblioteca do Congresso Americano e da Biblioteca de Alexandria”.

(in Público)

A prova escrita do Concurso Nacional de Leitura (2ª fase) decorreu no dia 7 de Março, pelas 10h00, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga.

Estou muito feliz por ter acompanhado, nessa manhã de sábado, a Helena, a Sofia e o Pedro. São estas iniciativas que nos fazem acreditar na importância de participar, mesmo que não se ganhe. Antes de tudo, os três participantes merecem a minha admiração, porque para além de serem grandes leitores, nunca esqueceram que juntos somos mais fortes, mais capazes.

A Helena foi a vencedora do Concurso Nacional de Leitura – fase distrital. Por isso os nossos parabéns! Obrigado, Helena!

2953527_eawbg1“Eu sou o mundo e o mundo sou eu,
porque, com o meu livro,
posso ser tudo o que quiser.
Palavras e imagens, verso e prosa
levam-me a lugares a um tempo próximos e distantes”.
Hani D. El-Masri
Tradução: José António Gomes

Dia Mundial da Poesia

21 Março 2009

Um desafio para dia Mundial da Poesia: cada um partilha um poema que goste muito

Aprender a Crescer
Estudar é muito importante,
mas pode-se estudar de várias maneiras…
Muitas vezes estudar não é só aprender
O que vem nos livros.
Estudar não é só ler nos livros
que há nas escolas.
É também aprender a ser livres,
sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
às vezes, urgente,
mas os livros não são o bastante
para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,
mas também a viver,
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer, aprender a estudar.
Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar, a conhecer os outros,
a ajudar os outros,
a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros
aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo
e ter um amigo também é estudar.
Estudar também é repartir,
também é saber dar
o que a gente souber dividir
para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado
Sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar,
pois, na escola da vida,
primeiro está saber estudar.
Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta de somar
que se pode fazer.
Dizer apenas música,
quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redacção do mundo…
Estudar é muito
mas pensar é tudo!

J. C. Ary dos Santos

Qual é o livro?

18 Março 2009

Aquando da visita da doutora Altina Ramos à nossa escola, para além do que aprendemos e do interesse do encontro, teve ainda a amabilidade de nos oferecer  um livro.

Como todos os momentos são importantes para falarmos de livros e de leituras, sugiro um desafio: não vou dizer o nome do autor, nem o título , apenas algumas pistas para descobrirem o livro oferecido pela doutora Altina Ramos.

Então, posso adiantar-vos que este livro narra a história de um amor de dois jovens, Florentino Ariza e Fermina Daza, cujas diferenças sociais os vão separar. Além disso o autor deste romance faz um apelo desesperado à vida contra a morte, do amor total contra a solidão.

Se concordarem, quem primeiro acertar no nome do autor e da obra e simultaneamente escrever a melhor frase sobre esta obra, ser-lhe-á oferecido o livro.

Boas pesquisas!

É já amanhã, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, que o Pedro Ribeiro, a Helena Costa e a Sofia Vale participarão na 2.ª fase do Concurso Nacional de Leitura. Eu também estarei lá a torcer para que seja uma boa experiência.

Boa sorte!

Tiveram hoje finalmente a honra de conhecer a professora Altina Ramos. Pelo que vi, ouvi e  senti foi um encontro que nos deixou marcas muito verdadeiras. Estão todos de parabéns pela forma como ouviram e participaram neste encontro.

Na semana da leitura transcrevo o texto que foi lido no início da sessão.

“Os animais falam e transmitem informações. Mas não escrevem. Não são capazes de tornar a informação acessível às gerações futuras ou aos animais fora do alcance do seu sistema de comunicação. É essa a distinção crucial entre os homens e os outros animais. A escrita. [...].
… [O homem] é capaz de tornar a informação acessível aos outros homens por tempo ilimitado através da escrita. Os animais falam. Não escrevem”.

(William Burroughs, A Revolução Electrónica, p. 5-6).

Agora é tempo de vos ouvir. Digam o aspecto que mais vos marcou neste encontro. Pode ser uma palavra… Uma frase…

A professora Altina escreveu-me e diz o seguinte:

Como na próxima quinta-feira, dia 5, estaremos em conversa a propósito de leitura, lembrei-me partilhar convosco algumas ideias que podemos, se assim o entenderem, discutir.

A vida em sociedade dá-nos direitos e exige-nos deveres. Como o papel ou a moeda que têm sempre duas faces, também os direitos do cidadão têm deveres associados. Mas já repararam que falamos muito mais em direitos que em deveres?

Vem isto a propósito dos Direitos Inalienáveis do Leitor definidos, com um toque lúdico e polémico, por Daniel Pennac na obra Como um Romance.

O direito de não ler.
O direito de saltar páginas.

O direito de não acabar um livro.
O direito de reler.
O direito de ler não importa o quê.
O direito de amar os “heróis” dos romances.
O direito de ler não importa onde.
O direito de
saltar de livro em livro.
O direito de ler em voz alta.
O direito de não falar do que se leu.

(Ed. Asa, 1992, p. 155)

E deveres? O leitor também tem deveres? Podemos identificar alguns e justificá-los? E podemos chamar para esta discussão sobre direitos e deveres do leitor a vossa experiência no uso do Blogue de Língua Portuguesa e do BookcrossingEBI.

E, falando em tecnologias digitais, podemos ampliar um pouco e discutir que implicações podem ter na leitura, no leitor, no livro. Bem, será um início de discussão, a continuar online!

Os livros da minha vida

2 Março 2009

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Na Semana da Leitura, sugiro que cada um escreva algo sobre um livro marcante da sua vida ou transcrever mesmo um pequeno excerto.
Estou a escrever este post e penso na dificuldade em escolher esse livro… Acho que vou terminar a leitura de “O Anjo da Tempestade” de Nuno Júdice e já faço um comentário.

Semana da leitura

28 Fevereiro 2009

A Semana da Leitura está aí mesmo a chegar. Deixo-vos com este excerto de Daniel Sampaio a propósito dos efeitos da leitura no desenvolvimento das capacidades do cérebro.

«A investigação tem demonstrado a possibilidade de a leitura ampliar as capacidades do cérebro, criando diferentes perspectivas de interpretação da realidade e novas competências no manejo das emoções, contribuindo para a melhor compreensão da complexidade do mundo. Especialistas defendem que o que importa é que a criança leia, sobretudo textos que a mobilizem e não se afigurem desconexos em termos  de espaço e tempo, o que poderá levar ao abandono do livro. Por isso, o interesse de uma criança ou de um adolescente por qualquer tema deverá ser incentivado, porque estará a contribuir para o ganho de hábitos de leitura, que só se poderão consolidar nas idades jovens.
Costuma dizer-se que se pode ler um livro a uma criança desde muito cedo, na prática deve seguir-se o conselho de segurar a criança ao colo e com a mão disponível ler-lhe um episódio qualquer que o faça sonhar: não importa, a princípio, se é ou não um texto de muito valor literário».

Fernado Salvater e a leitura

17 Fevereiro 2009

O Filósofo espanhol Fernando Salvater fala sobre a leitura na escola. Vejam e digam o que pensam.

O direito de brincar e de nos divertirmos deve ser um direito inalienável de qualquer ser humano. Numa leitura de fim-de-semana, a minha amiga Cristina Pinto partilhou um excerto do livro “O Brincador” de Álvaro Magalhães. Deliciem-se!

«Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador…
A mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: “é assim a vida”. Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: “Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras.»

O Brincador,
Álvaro Magalhães

Jornal de Letras

27 Janeiro 2009

O Jornal de Letras oferece amanhã uma antologia de poesia lusófona com o título “LeYa Poemas” que virá com a milésima edição do Jornal de Letras.Os poemas são de autores vivos.

Entre eles, estão Nuno Júdice, Gastão Cruz, Maria Teresa Horta, António Ramos Rosa, Manuel Alegre, Pedro Tamen, Manuel Gusmão, Ana Marques Gastão, Pedro Mexia, Mia Couto, Guita Jr., Ondjaki, Paula Tavares, José Carlos de Vasconcelos e José Saramago, entre outros, num total de 28 autores.

O Jornal de Letras, Artes e Ideias é uma publicação quinzenal do grupo Impresa (Sic, Visão, Expresso), que chegou às bancas em 1978 e é desde então dirigido por José Carlos Vasconcelos.

Biblioteca Digital Camões

20 Janeiro 2009

A Biblioteca Digital Camões, do Instituto Camões, disponibiliza online cerca de 1.200 documentos da cultura portuguesa dos últimos cinco séculos. A partir de agora estarão disponíveis online textos literários, pautas musicais e ensaios e estudos científicos, entre outros, perfazendo um conjunto de mais de 1.200 documentos referentes aos últimos cinco séculos da história de Portugal, que antes eram de acesso condicionado. Outra novidade é que os documentos podem ser descarregados para o computador ou para dispositivos móveis, sendo possível, desde já, descarregar “Os Lusíadas” para o telemóvel.

(in bookcrossingEBi)

A escritora Deana Barroqueiro disponibilizou para os seus leitores o romance “Uraçá, o Índio Branco”.
Gostava muito que o lessem, pois vem de encontro ao programa de Língua Portuguesa e garanto-vos que vale mesmo a pena ler. Experimentem!

Um projecto a duas mãos

11 Dezembro 2008

Tomámos O Velho e o Mar, Ernest Hemingway – Educação Visual e Língua Portuguesa, e transformámos a palavra em traço e o adjectivo em cor.

Através da técnica de xilogravura, os alunos do 9.º Ano, Turma C, procuram atributos no livro de Hemingway. A primeira parte do trabalho consistiu em escolher as palavras e a partir daqui visualizar imagens, contextualizando-as com a história do livro. Posteriormente, e depois de os alunos elaborarem vários estudos, realizaram o trabalho final, que gravaram em placas de xilogravura. Por fim, imprimiram os trabalhos e fizeram alguns apontamentos de cor, com tinta acrílica.

“O velho era magro e seco, com profundas rugas na parte de
trás do pescoço. As manchas castanhas do benigno cancro da
pele que o sol provoca ao reflectir-se no mar dos trópicos
viam-se-lhe no rosto. As manchas iam pelos lados da cara
abaixo, e as mãos dele tinham as cicatrizes profundamente
sulcadas, que o manejo das linhas com peixe graúdo dá. Mas
nenhuma destas cicatrizes era recente. Eram antigas como
erosões num deserto sem peixes”.
p.11

“As nuvens por cima de terra erguiam-se agora como
serranias, e a costa era apenas uma longa linha verde com os
montes azuis-cinzentos por detrás. A água era agora de um
azul-escuro, tão escuro que era quase púrpura. Ao olhar para
o interior das águas via o vermelho peneirar do plâncton nas
águas sombrias e a estranha luz que o sol fazia”.
p.30

“Já não via a verdura da costa e apenas os topes das
montanhas azuis que pareciam brancas como se tivessem neve,
e as nuvens sobre elas, como altas montanhas nevadas. O mar
estava muito escuro, e a luz irisava-se nas águas. O sol
alto anulava as miríades de pontos do plâncton, e só aos
grandes prismas profundos na água azul agora ele via com as
linhas descendo na água que tinha uma milha de profundidade”.

O Jornal Público de hoje traz uma notícia que devem ler. Muitas vezes se fala que as pessoas hoje não lêem, ou se lê cada vez menos. Provavelmente, a realidade não é assim tão simples e posso mesmo assegurar que os meus alunos lêem como nunca. Mas espreitem aqui.

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